SENTIMENTOS HUMANOS E A BÍBLIA

 

 

 

 

 


Noel José Dias da Costa


Objetivo deste estudo: Compreender a importância do relacionamento constante com o Espírito Santo para que nossos pensamentos sejam uma fonte de palavras e ações saudáveis, como perfeito louvor a Deus.


Verdade central: Nossos pensamentos são uma poderosa força geradora de emoções e comportamentos que nos aproximam ou afastam de Deus, de nós mesmos e de nossos semelhantes.


Introdução
Os pensamentos têm uma influência determinante sobre as emoções e o comportamento de uma pessoa. Dependendo de causas biológicas, das experiências em relação com o ambiente e de como a pessoa lida com tudo isso, ela pode desenvolver um conjunto de crenças muito particular pelo qual passa a interpretar o mundo e sua relação com ele.


Um exemplo disso foi o que viveram os dez espias pessimistas que relataram apenas os aspectos negativos de Canaã, após sua jornada de reconhecimento (Nm 13:26-33). A interpretação deles foi motivada pelas crenças que possuíam quanto à dimensão do perigo que imaginavam enfrentar em Canaã e os “limitados” recursos que percebiam em si para superá-lo. Observe: eles não criam que em Deus poderiam avançar e vencer. Ao contrário disso, Josué e Calebe apresentaram um relatório otimista (Nm 14:6-9). Eles possuíam um sistema de crenças em que se percebiam repletos de chances de vitória, se tão somente confiassem em Deus e fossem obedientes. Diante da mesma situação, as reações foram bem diferentes. Assim o sistema de crenças de cada um interfere, motivando ou paralisando quando as dificuldades surgem.


Deus nos orienta sobre a importância de nutrir crenças positivas, com base em nossa relação com Ele. O psiquiatra e cientista do comportamento, Harold G. Koenig, da Universidade da Califórnia, fez um exaustivo estudo sobre os trabalhos relacionados à saúde e religião. A conclusão dele foi que hoje se acumulam evidências “em apoio da visão de que o compromisso religioso maduro e dedicado sob a forma de crenças e atividades baseadas na tradição judaico-cristã está relacionado ao maior bem-estar e menores níveis de depressão e ansiedade”.

 

O estudo da lição desta semana procura responder às seguintes questões:

 

– Como nossos pensamentos afetam nosso comportamento?

– Que pensamentos precisamos nutrir para ser controlados pelo Espírito Santo?

– Que fazer para ter sempre pensamentos que nos elevem e louvem a Deus?

 

 

I. Pensamentos, emoções e comportamento
Os antigos gregos já estudavam a relação entre os pensamentos e o comportamento. É de Sócrates a expressão “bem pensar para bem viver”. Nos escritos de Platão e Aristóteles encontramos a palavra cognição referindo-se ao ato ou processo de conhecer, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, julgamento, imaginação, pensamento e linguagem. Mas antes deles, cerca de trezentos anos antes, Deus já havia demonstrado essa relação através de Salomão, como relatado em Provérbios 23:7, onde lemos que o homem é aquilo que ele imagina em seus pensamentos.

 

Jesus afirmou que “do interior do coração do homem vêm os maus pensamentos” (Mc 7:21). Assim, Ele identificou a causa interna deles, que denominamos crenças irracionais. Elas podem se formar por várias causas, como as constantes experiências negativas ou de sofrimento intenso, os fracassos na vida ou ainda a falta do exercício da fé, em detrimento das evidências do amor e cuidado de Deus. Esse conjunto de crenças é processado e produz pensamentos maus, que minam a saúde e tornam infrutífera a vida.

 

Bons pensamentos produzem boas emoções e bom comportamento. Ellen G. White afirmou que “ânimo, esperança, fé, simpatia e amor promovem a saúde e prolongam a vida. Um coração contente, animoso, é saúde para o corpo e força para a mente. “O coração alegre serve de bom remédio” (Pv 17:22).

 

II. Quais pensamentos precisamos nutrir para sermos controlados pelo Espírito Santo?
A disposição mental é fundamental para nossa comunhão com o Espírito Santo. Quando permitimos que nossos pensamentos se demorem em assuntos espirituais, quando alimentamos pensamentos de paz e harmonia com a Palavra de Deus, principalmente as promessas de proteção, livramento e salvação que Ele oferece, quando falamos aos outros sobre Seu amor e cuidado, podemos estar seguros de que nossa fé aumentará, e mais pensamentos bons serão gerados. É um processo natural.

 

Alguns problemas clínicos, como doenças crônicas, estresse ou depressão podem ser geradores de pensamentos negativos. Eles surgem de forma avassaladora, principalmente quando a pessoa sofre depressão. Esse tema será mais bem abordado na lição 7, mas é preciso antecipar que, nesses casos, além do apoio social e espiritual é necessário o acompanhamento profissional, médico e psicológico. Cada caso deve ser cuidadosamente investigado pelo profissional para orientar a intervenção adequada.

 

O Espírito Santo nos impressiona com as verdades reveladas na Palavra de Deus com o fim de nos fazer crescer espiritualmente e superar nossas fraquezas. Em 2 Pedro 3:1, 2 temos uma orientação sobre a maneira de exercitar nossos pensamentos nessa direção. O texto diz:

 

“Amados, esta é, agora, a segunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida, para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos.”

 

A orientação divina é que tenhamos constantemente diante de nós as palavras que Deus deu através dos profetas e dos apóstolos. Ele usa as expressões “despertar com lembranças” e “recordeis” referindo-se ao exercício da memória. Para memorizar ou lembrar algo, é preciso demorar-se pensando nisso. Assim fazendo, nossos pensamentos estarão sempre nutridos de coisas boas.

 

III. Que fazer para ter sempre pensamentos que elevem e louvem a Deus?
Pensamentos bons devem ser sempre nutridos. Mas somos constantemente bombardeados com informações ruins que despertam pensamentos negativos. O recurso que temos à disposição é procurar ocupar os pensamentos, na maior parte do tempo, com temas que promovam bem estar. Para tanto, precisamos cuidar com aquilo que ocupa nossos sentidos.


Alguns aspectos práticos mencionados em Colossenses 3 são considerados abaixo:

 

– “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (v. 2): Manter uma disposição mental positiva e espiritual. Mesmo ao tratar de questões desta vida, como problemas e dificuldades, devemos considerar esses temas sob a perspectiva do grande conflito cósmico e seu desfecho, quando Cristo estabelecerá definitivamente Seu reino de paz, justiça e amor.

– “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria” (v. 5): Uma planta ruim não morre se for alimentada. Deus nos dá um mandamento que implica em retirar dos olhos e ouvidos tudo aquilo que possa despertar a natureza pecaminosa – incluindo entretenimentos e conversas impróprias.

– “Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar” (v. 8): Despojar-se significa despir-se, como se uma roupa inútil precisasse ser imediatamente trocada. Pensamentos maus geram emoções ruins, que por um processo de retroalimentação, aumentam os pensamentos maus e produzem um comportamentos ainda pior. É preciso, pelo poder de Deus, despir-nos desses pensamentos para sermos controlados pelo Espírito.

– “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós” (v. 12, 13): Além de lançar fora a “roupa velha” dos pensamentos e sentimentos maus, devemos “vestir-nos” de bons pensamentos e boas atitudes.

– “Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição” (v. 14): O coroamento de todos os bons sentimentos, o amor vindo de Deus, deve estar acima de tudo.

– “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” (v. 17): Fazer de Jesus o primeiro e o melhor em nossa vida e desenvolver uma atitude de gratidão a Deus são essenciais para que os bons pensamentos nos acompanhem sempre.

 

Conclusão
Nossos pensamentos podem ser bons, na proporção em que nos alimentamos de estímulos espirituais. A comunhão por meio da oração, estudo da Bíblia, louvor, testemunho e a atitude de gratidão fortalecerão nossa fé e nos cobrirão de uma atmosfera celestial na qual seremos continuamente transformados pela renovação de nossa mente (Rm 12:2).

 


 

Noel José Dias da Costa é psicólogo e pastor, mestre e doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Teologia pelo SALT-UNASP-EC. Atua como professor, psicólogo e auxiliar da Associação Ministerial no Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP-SP). É casado com a pedagoga Erenita M. S. da Costa, e pai de Tiago e Ana Cristina.