Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há, e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” Filipenses 4:8. O cinema desenvolve ou apóia estes pensamentos que dão vitória a Deus? Pense nisso, e faça a escolha de Davi: “Não porei coisa injusta diante dos meus olhos”(Salmos 101:3)

 

 

Esta é uma questão polemica para alguns e já definida para outros, mas de vez em quando a discussão aparece. Tenho recebido algumas perguntas buscando mais orientação, e depois da estréia do filme “A Paixão de Cristo”, parece que as discussões aumentaram. Vamos entender um pouco mais do assunto?
Primeiro ponto: Precisamos considerar que o cinema faz parte de uma realidade mais ampla, que envolve o grande conflito entre Cristo e Satanás. Esta batalha tem a ver com a influência  sobre os pensamentos e desejos. Por isso se localiza na mente humana. Quem consegue maior controle sobre os pensamentos, tem melhor influencia sobre os desejos e, em conseqüência, sobre toda a vida.
Existem dois meios que causam um impacto tremendo sobre a mente humana: sons e imagens. Por isso, dá para entender porque as opções populares de músicas e filmes são tão grandes e atraentes. Tem alguém tentando ganhar essa batalha.
Por outro lado, você já viu como seminários ou conversas sobre musica, cinema e filmes quase sempre acabam em discussão? É difícil encontrar o caminho. São muitos gostos pessoais e “achismos” em jogo, dificultando uma solução ou o fortalecimento de nossas defesas. A questão que precisa estar sempre muito clara é: com o que estamos alimentando nossa mente e, como conseqüência, quem vai vencer o grande conflito?
Quando falamos sobre imagens, sempre vem à mente aquele ditado: “Uma imagem vale mais que mil palavras.”É apenas um ditado, mas, mostra a força desse instrumento de comunicação. Sabemos que, por trás de um filme, estão centenas e até milhares de pessoas envolvidas. O investimento é imenso em enredo, marketing, imagens e direção, tudo isso para apresentar uma mensagem. Normalmente, Satanás usa toda essa estrutura para tornar interessante e atrativo o pecado como sempre é sua estratégia. Por isso, é fundamental avaliarmos essa questão com oração, conscientes de que estamos em um terreno perigoso buscando fazer a melhor escolha.
E quanto ao cinema, especificamente? Existem mais alguns pontos que devem ser avaliados. O assunto CINEMA,  vai além da questão “vídeo”, “DVD”ou “televisão” e, por isso mesmo, se torna mais polêmico. Essa polêmica e seus questionamentos são variados. Por um lado, alguns dizem: “O cinema não é mais aquele lugar pervertido que foi o passado. Além do mais, aquilo a que se assiste lá, facilmente pode ser visto dentro de casa. Por isso mesmo não há problema.”Porém, há um outro grupo que defende a idéia de não freqüenta-lo, independente do filme em cartaz, pois não é um bom lugar. E, então, qual das duas opiniões é a mais correta? Qual é a mais edificante?

Ontem e hoje

Pense comigo: Se o cinema não é mais um lugar impróprio como foi no passado, o que mudou? O cinema ou as pessoas? O cinema ficou melhor ou as pessoas começaram a achar normal o que acontece lá? O cinema melhorou ou os padrões baixaram? Algumas pessoas dizem: “Veja, hoje o cinema não é mais um lugar de imoralidade. Até as famílias vão lá.” Será que o fato de encontrarmos família significa que o lugar tenha melhorado? Se você observar, ele continua sendo o mesmo que sempre foi. Aliás, o que é apresentado hoje é bem mais forte e violento do que no passado. Isso demonstra que a questão está nos valores. Hoje eles são outros. O que não se aceitava alguns anos atrás  e os pais não ofereciam para seus filhos, hoje não é visto como problema. Por isso, as famílias estão lá.
Além disso, estamos inseridos na cultura do entretenimento. As famílias estão lá em busca da diversão  que agrada, sem levar em conta os valores. Isso ainda nos leva a uma outra pergunta: A mudança de visão da sociedade deve provocar, também, a mudança da nossa visão? Se a sociedade passou a ver como normal alguma coisa, devemos segui-la automaticamente? Ou nossos motivos vão mais além? Nossos critérios de escolha não estão fundamentados  nos valores da sociedade, ou na maneira como ela encara as coisas, mas nos valores de Deus e do Céu. Por exemplo, há cerca de 20 anos o homossexualismo não era bem visto pela sociedade ou pelas famílias. Hoje a realidade é completamente diferente, e nem é preciso entrar em detalhes. Por que a posição da sociedade mudou, nosso conceito de certo ou errado deve mudar também?

Influência maior – Um dos argumentos mais usados para defender o cinema é o fato de que aquilo que se vê no cinema é o mesmo que se vê em casa. “É a mesma coisa”, alguns dizem. Será que assistir a um filme em casa e no cinema realmente tem a mesma influencia? Usar este argumento faz com que o cinema se torne um lugar melhor, ou nos faz ter critérios mais firmes para selecionar os vídeos e programas de TV?
Se a influencia de um vídeo ou programa de televisão já pode ser muito prejudicial, imagine a influencia destas mesmas imagens em um lugar onde a tela não tem 14,20 ou mesmo 29 polegadas. O tamanho da tela torna a influencia do filme muito mais forte. É preciso considerar, também, a diferença da influencia  de um programa ou filme visto na TV de casa, com gente passando ou conversando, barulhos na rua, lanchinho na mão, campainha tocando, e outras tantas situações comuns, para um filme visto em um ambiente de poltronas próprias, piso inclinado e direcionado à tela, luzes apagadas, silêncio geral, som estéreo e outras características do cinema. É claro que o cinema torna a influencia do filme muito maior. Além disso, em casa você domina aquilo a que assiste. Você tem um controle remoto e um botão “stop” no vídeo, DVD ou TV. Se você tem critérios saudáveis e o filme não combina com eles, você pode desligar e... adeus. No cinema, você paga e entra, as portas se fecham, a platéia que silencio, ninguém fica entrando ou saindo, e como resultado, você acaba assistindo ao filme independente da qualidade, mesmo que não combine com seus princípios. Daria até para dizer que em casa você pode dominar aquilo a que se assiste, mesmo que tenha sido enganado pela propaganda. No cinema, não.

Questão de gosto pessoal?

De vez em quando, encontro algumas outras pessoas que dizem: “O cinema pode ser um bom ou mau lugar, dependendo daquilo a que você assiste. Eu só vou lá para ver bons filmes.” Cuidado com afirmações desse tipo, pois elas trazem sérios problemas. Que critério você usa para escolher os “fimes bons”? Será que o gosto pessoas e a consciência são os melhores juizes para fazer essa escolha? Uma consciência que não esteja totalmente ligada a Deus pode escolher o que é errado achando que é certo. Pior do que isso, ainda, é a realidade de que ir ao cinema só para ver filmes bons é sempre a desculpa de quem vai as primeiras vezes. Nestas primeiras vezes, a pessoa está cheia de critérios para selecionar aquilo que vai ver. Mas, com o passar dos dias, o cinema vai virando simplesmente mais um lugar de entretenimento, como uma pizzaria ou sorveteria. Chega sábado à noite e a turma se pergunta: “O que a gente vai fazer hoje?” No meio de algumas sugestões, alguém já responde: “Vamos pegar um cineminha.”Ninguém pergunta o que vai passar, simplesmente se torna mais um lugar de lazer. Foram-se os critérios!
Quando o assunto vai esquentando, sempre aparece alguém para dizer: “Não é bem assim. O mal está na sua cabeça.” Será que é assim mesmo? O Dr. W. W. Charters, no livro Our Movie Made Children, apresenta um estudo comprovando que 75 a 80% do que é apresentado nos filmes envolve sexo, ocultismo e violência. A pergunta que fica é: Será que o mal está somente na cabeça das pessoas?

Testemunho – Ainda tem outra coisa que me preocupa: o testemunho. A sociedade continua vendo os cristãos como pessoas que tem outros valores e outros interesses. Gente que tem vontade de estar com Deus. de buscá-Lo ou de estar em lugares puros. Essa imagem não combina com o cinema. Deus não é buscado nem encontrado ali, além disso, o que é apresentado lá, não combina com a pureza ou com os valores de Deus. O que você faz no silencio da sua casa está entre você e Deus, mas aquilo que você faz em público, ou nos lugares aonde vai, envolve outras pessoas e ai o compromisso é maior. Como filho ou filha de Deus, seu compromisso é sempre ser testemunha dEle, e evitar se tornar pedra de tropeço para alguém. Se a minha freqüência a algum lugar vai prejudicar a vida ou a visão religiosa de alguém, aí já está um motivo para mudança. A Bíblia fala fortemente sobre esse princípio em Coríntios 8. Paulo diz que alguns, não tendo conhecimento profundo da verdade, tem uma consciência fraca. No verso 9, ele estabelece o princípio quando diz: “Vede, porém, que esta vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos.” Em I Coríntios 10:23 e 32, ele destaca que “todas as coisas são licitas, mas nem todas convêm. ... Não vos torneis causa de tropeço... para a igreja de Deus.”E o que mais me impressiona é a declaração do capítulo 8:12, onde ele diz: “E deste modo [ referindo-se ao pecado do escândalo], pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais.”É importantíssimo ter cuidado!
A última questão para você pensar é a visão do cinema como um lugar de adoração. Parece meio pesado e até estranho, mas é uma realidade. Se você parar para pensar que cerca de 80 % daquilo que é apresentado no cinema se concentra em sexo, violência e ocultismo, a questão que surge é: Quem é o interessado em passar isso às pessoas? Essas são mensagens fortes e claras que levam ao estilo de vida de Satanás. Aliás, no cinema, ele apresenta essas mensagens com seus melhores e mais atrativos recursos. Olhando por este ângulo, o cinema pode ser comparado a uma igreja. A igreja é um lugar público onde a vontade de Deus é ensinada e Ele é adorado. O cinema, por outro lado, pelo que apresenta publicamente, passa a ser um centro de ensinamento das mensagens do inimigo de Deus (a televisão também pode desempenhar esse papel). Onde sua vontade é ensinada aberta e super atrativamente, ele se manifesta, e se torna um centro de aprendizado e adoração. Afinal, as pessoas vão aos lugares onde é apresentado aquilo em que elas acreditam, ou pelo menos se interessam.
É muito perigoso estar envolvido com um lugar assim. Mesmo que, de vez em quando, exista algum filme que pareça bom, cuidado com a isca. À casa do inimigo a gente não vai nem para uma festinha de aniversário.
Não esqueça de que somos o palco do grande conflito entre Cristo e Satanás. Ambos querem conquistar nossa mente e nossa vontade. Por isso Paulo deixa uma recomendação preciosa e muito válida quando se fala em cinema e filmes: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há, e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” Filipenses 4:8. O cinema desenvolve ou apóia estes pensamentos que dão vitória a Deus? Pense nisso, e faça a escolha de Davi: “Não porei coisa injusta diante dos meus olhos”(Salmos 101:3)

Erton Kohler