OS GÊMEOS BEM COMPORTADOS

 
Junia e Jaques passavam junto de um muro por cima do qual pendiam alguns galhos de jabuticabeira, carregados com frutas maduras. Nunca haviam visto jabuticabas tão lindas e tão maduras!  Jaques apanhou algumas, dizendo:
- Que jabuticabas doces! Tome lá uma, Junia, disse ele, apanhando mais uma. São deliciosas, acrescentou, passando as costas da mão nos lábios.
Julia olhou as lindas frutas que o irmão tinha nas mãos e disse:
— Sim, mas não nos pertencem.
— Os galhos estão para cá do muro, argumentou Jaques, de modo que penso que o Sr. Antonio não se incomodará se tirarmos algumas.
Julia ficou firme em sua opinião. Não aceito nenhuma,Jaques. Não são nossas, embora estejam para cá do muro.
Volvendo costas à tentadora fruta, Junia continuou a andar no rumo de casa. Jaques serviu-se de mais algumas jabuticabas, antes de segui -1a.
Algumas semanas depois Jaques esquecera tudo acerca das jabuticabas. Em seu próprio quintal, o pessegueiro estava com os pêssegos amadurecendo. O pessegueiro era ainda pequeno. Jaques ajudara o pai a plantá-lo, fazia dois anos, e era a primeira vez que produzia.
Um, dois, três, cantou Jaques, até dez. Dez pêssegos! Não são muitos, mas são lindos.
- Hum... não é mesmo? (Junia sentia vir-lhe água na boca, ao olhá-los.) E o papai diz que provavelmente estarão maduros no domingo.
Quando voltarmos da visita ao Titio Bento, estarão boas para serem comidos.
Julia e Jaques tiveram prazer em visitar Tio Bento, numa cidade próxima, e tia Margarida, sua esposa. Tiveram o prazer de ir com eles á Escola Sabatina, na igreja. Mas várias vezes, nos últimos dias da semana, as crianças falaram de seu pessegueiro a dos belos e suculentos pêssegos que estariam a sua espera quando voltassem.
Assim, não admira que uma das primeiras coisas que fizeram quando, no domingo, chegaram em casa, foi correu ao quintal para ver se os pêssegos estavam mesmo no ponto.
Que decepção! Não havia pêssego nenhum no pessegueiro. Jaques quase não acreditava nos próprios olhos “Ora pois, como?! ...  exclamou. Junia examinou a arvore em toda a volta, e Jaques mexeu nas  folhas, como se os pêssegos se tivessem escondido. ‘Alguém os deve ter furtado!” acrescentou Jaques, enquanto lágrimas lhe deslizavam pelas face . “Quem  sera esse mesquinho``?”
- pessegueiro fica muito perto da cerca, disse Júnia, e  alguém que passasse na calçada poderia facilmente tirar as frutas.
Júnia lembrou-se de uma coisa: - Jaques, disse ela, lembra-se das jabuticabas? Você disse :“Os galhos estão para cá do muro, de modo que penso que o Sr. Antonio não se incomodará se tirarmos algumas.” Estes pêssegos estão perto da calçada, também , e por certo alguém teve o mesmo pensamento o que você, Jaques. Pagaram com a mesma moeda..
- Oh! ... Jaques tomou fôlego. Eu não pensei que o Sr. Antonio contasse com aquelas frutas. Talvez ele também tenha ficado desapontado. As jabuticabas realmente não me pertenciam. E, afinal de contas, tirar o que pertence a outro é realmente furtar. O papai diz que mesmo nas coisas pequenas será feito o registro da honestidade.
- É isso mesmo!
Jaques fícou pensativo. – Você sabe Júnia creio que você tinha razão. Aquelas jabuticabas não eram minhas, embora estivessem pendendo por cima de calçada, assim como nossos pêssegos não pertenciam pessoa que os tirou. E eu nunca mais tirarei frutas alheias, causando a alguén a mesma decepção que sofri agora.
Jaques fez um Sorriso, meio amarele, é verdade, mas estava resolvido a cumprir sua resolução.