O VESTIDO VERMELHO DE BONECA


Helena e Grace iam levando suas bonecas, quando andavam pela calçada, ao mesmo tempo olhando para um pedaço de papel que tinham na mão. O papel dizia: “Dora Braga, Rua da Abolição, 153.” Haviam já andado vários quarteirões, olhando para o endereço. Passaram em frente de casas muito bonitas, e agora as casas se estavam tornando cada vez menores e os quintais já não eram tão bem cuidados.
— Nossa professora da Escola Sabatina nos disse que devíamos sem falta visitar Dora e convidá-la a voltar para a Escola Sabatina. Esta é a Rua da Abolição, portanto devemos estar perto, disse Helena.
— Podemos relatar isto com uma visita missionária, em nosso relatório na Escola Sabatina, disse Grace. 
— Gosto muito deste vestido vermelho da minha boneca. Foi titia quem o fez, com retalhos de um vestido novo dela, explicou Helena.
— Sim, é mesmo muito bonito, de fazenda tão macia! respondeu Grace.
— Que lonjura! Estou ficando cansada, disse Helena, parando para descansar um pouco.
Ali perto notaram, na calçada, uma boneca com o vestido em farrapos.
— Vamos esconder aquela boneca, sugeriu Grace. Então nos esconderermos atrás destes arbustos e vigiaremos para ver o que a menina faria quando voltar e não achar a boneca.
— Oh, nãoo! respondeu Helena. Ela haveria de ficar muito triste, pensando que alguém tivesse furtado a boneca.
- Ora, você não tem coragem de enganar uma menina, de brincadeira, disse Grace, meio aborrecida. Não lhe devolveríamos a boneca.
— Mas eu não acho que seria brincadeira levar alguém a ficar aborrecida. Seria melhor brincadeira fazer-lhe uma surpresa, para ver como se sentirá feliz. Sei o que vamos fazer! Sua boneca tem e tamanho da minha Maria Elisa. Porei o novo vesti de vermelho de Maria Elisa na boneca, e então nos esconderemos e ficaremos vigiando, para ver o que acontece, disse Helena.
— Helena, você não vai dar o novo vestido vermelho de Maria Elisa! - exclamou Grace.
Mas Helena já estava sentada no meio-fio da calçada, tirando da boneca o vestido sujo e rasgado. Pos—lhe o vestido novo, vermelho, e alisou o cabelo da boneca. Então, quando as meninas ouviram o bater de uma porta, largaram a boneca no chão e se esconderam atrás de uns arbustos. (Já estavam fora da cidade.) Logo viram uma menina correndo para o lado da boneca. Quando Helena e Grace olharam através da folhagem, ficaram surpresas de ver que a dona da boneca era Dora, a menina que estavam procurando para convidá—la a voltar à Escala Sabatina. Ficaram de respiraçao suspensa ao verem Dora apanhar a boneca, fitá-la e então, com expressao de quem estivesse confusa, olhar em torno.
Helena e Grace saltaram de esconderijo e disseram:
— Surpresa, Dora!
Dora riu—se. — Oh, meninas, que bela surpresa terem vindo me visitar.
Então Dora viu que a boneca de Helena não tinha vestido, e disse:
— Você me deu este lindo vestido vermelho para eu ficar com ele? De verdade?!
— Sim! Espero que você goste dele, respondeu Helena.
— Oh, que lindo vestido que é! Muito obrigada! É um amor! disse Dora.
Grace viu como foi divertido tornar feliz a Dora, e também quis ter parte nisso. Por isso disse:
- Minha boneca tem um bonito gorro, que ficaria bem na sua. E imediatamente tirou o boné da cabeça da sua boneca e pô-lo noa cabeça da outra, dizendo: Veja, o boné da minha boneca parece mesmo feito para a sua!
A alegria que se via no rosto de Dora foi a recompensa para as meninas.
— Dora, viemos para convidá—la para ir de novo à Escola Sabatina esta semana, e esperamos que você vá todas as semanas, disse Helena.
— Dora sorriu: — Terei muito prazer em ir. Especialmente porque vocês meninas, foram tão bondosas comigo.
- Grace ficou satisfeita de não ter escondido a boneca de Dora. Olhou para Dora e viu seus olhos brilhantes e rosto sorridente, e convenceu-se de que Helena tinha razão. É muito mais divertido tornar outros felizes, do que passar-lhes um susto.