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Observando algumas formigas no jardim aqui de casa, percebi que todas seguiam uma mesma rota carregando folhas maiores que elas mesmas.

Mas seguiam firme em direção ao formigueiro que descobri poucos passos adiante, o que para elas deveria representar uma grande viagem.

De repente percebo que uma delas está com uma folha exageradamente grande nas costas. Deveria ser pelo menos vinte vezes maior que ela, e seu esforço era notado a distância.

Fiquei ali imaginando o orgulho dessa formiga presunçosa, carregando aquela folha gigantesca e como ela deveria estar ansiosa em mostrar a formiga rainha como ela era forte, como ela era capaz, quem sabe até ganharia uma promoção.

Enquanto a fila de formigas seguia em direção ao formigueiro, essa formiga girava em volta de si mesma, sem conseguir sair do lugar, seu esforço era tão grande que mal avançava um passo, voltava dois para trás. Estava tão cega, tão entretida na sua luta de carregar aquele mundão nas costas que nem percebeu que todas as formigas largaram as folhas para escapar do pé de um menino que vinha correndo atrás de uma bola.

As formigas escaparam por pouco, mas nossa amiguinha não teve a mesma sorte e morreu esmagada, agarrada à sua folha gigante.


Assim como a formiga, nós seres humanos inteligentes e sensíveis, de vez em quando queremos carregar mais coisas em nossas costas do que podemos suportar:

Os problemas dos outros, as dores do mundo e a ganância de querer sempre mais, de ser mais e melhor.

Quando acordamos para a realidade estamos esmagados pelo peso de nossa insensatez.

Cuide mais de você.

O dia passa, as pessoas passam, o tempo passa, mas você fica.

Você será a sua eterna companhia.

Todos podem até fugir de você, mas você não pode fugir desse encontro com você mesmo, com a sua paz interior, com a sua felicidade.

Por amor a você, carregue apenas a sua mala e:

De preferência, o mais vazia possível!

Autor: Paulo Roberto Gaefke