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O trecho poético acima faz parte de um soneto escrito por Gregório de Matos,
poeta do barroco brasileiro e também conhecido como 'boca do inferno', por
suas críticas satíricas ao governo e ao clero católico da época (por volta do
século XVII).
A idéia que salta do texto é de um quebra-cabeça. Cada peça é essencial na
solução do mesmo, ao passo em que se as peças não se conectarem, não
significam nada.
Uma comunidade, seja ela qual for, é a exata materialização dessa metáfora.
Pode ser uma família, uma empresa, uma igreja, um time esportivo, etc. Cada
pessoa é uma parte. Cada uma representa o coletivo a que pertence. Mas ao
mesmo tempo, se estas pessoas não estiverem interligadas, não são nada mais
do que indivíduos solitários. A "parte sem o todo". Daí a
necessidade quase viral que temos de pertencer a alguma coisa, de fazer parte
– de uma turma, de um clube, de um partido e assim por diante.
O maior problema dessa necessidade é que cada 'parte' traz consigo a sua
totalidade, quer dizer, a sua visão do mundo, do certo, do errado. Assim, em
vez de 'partes' diferentes, o que se formam são 'quebra-cabeças' com várias
'peças' iguais. Não há espaço para o diferente. Isso é bem claro em situações
clássicas como uma guerra religiosa ou um grupo de torcedores de futebol.
Na mesma linha de Matos, o poeta americano John G. Saxe
escreveu uma poesia sobre seis homens cegos que tocam partes diferentes de um
elefante. Cada um deles descreve a parte tocada de uma maneira distinta (uma
cobra, uma corda, uma árvore, uma parede, etc.). Discutem e não chegam a lugar nenhum. O fato é que todos estavam certos e
errados ao mesmo tempo. Certos pela percepção individual que tinham, mas
errados por não conseguirem enxergar (filosoficamente, é claro) um quadro
maior...
Portanto, apesar de levados a crer, diária e incessantemente, que cada um é
uma ilha (em oposição à poesia de John Donne, poeta
inglês do século XVI), com suas verdades, suas idéias e opiniões, a realidade
é que somos dependentes uns dos outros, psicológica e fisicamente. O
relativismo da pós-modernidade e a globalização nada mais fizeram do que 'tribalizar' – juntar 'peças' e mais 'peças' iguais.
Talvez desse ajuntamento resida a explicação do
aumento gradativo de preconceitos históricos, xenofobia, etc.
A solução? Ver no diferente, um igual. Ver no outro
um pouco de você. Entender que opostos podem ser complementares. Aplique o
seguinte texto bíblico em todas as áreas de sua vida: "O certo é que há
muitos membros, mas um só corpo" (1 Coríntios
12:20), tanto no lado espiritual como no secular
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